
A CÍNICA LINGUAGEM DA DEMOCRACIA BURGUESA
Dia a dia ouvimos pela mídia o discurso da classe política. Um discurso de palavras calculadas e sem sentido, um jogo de meias verdades e palavreado superficial.
Está claro que não interessa aos políticos que pensemos por nós mesmos. Se o fizermos, nos daremos conta que suas palavras sonoras e grandiloqüentes, falando supostamente de coisas que não compreendemos, outorga-lhes uma autoridade que não passa de um mito. Os políticos selecionam de forma cuidadosa as palavras com as quais fundamentam seus discursos. São palavras bem escolhidas com o intuito de vender a autoimagem de pessoas valorosas que defendem seus princípios com convicção.
Está claro que a violência não é algo bom para o ser humano, por isso os políticos escolhem a palavra "paz", como palavra e valor a defender. Assim, mesmo quando provocam uma guerra, justificam-na com sua antítese, dizendo que fazem guerra pela paz, para defender o valor em que supostamente crêem. Eles não escolhem, por exemplo, a palavra "repressão", pois soa mal e vai contra a condição que mais humaniza as pessoas, que é a liberdade; por isso mesmo "liberdade" é outra palavra a martelar. Ainda assim, seu sistema necessita de instrumentos repressivos (polícia, cárceres) que devem ser justificados de alguma maneira; de onde surge a falácia de que são criados para proteger a nossa liberdade; e essa falácia cria em nós um sentimento de insegurança. "Intolerância" é outra palavra que soa mal, por isso falam continuamente em "tolerância" e "respeito".
A política, a democracia, tem a palavra como arma de convencimento. A política é espetáculo, e dentro deste espetáculo a linguagem assume um papel muito importante. As palavras são prostituídas e corrompidas. Falam de convivência porém não convivem com ninguém de fora de seu pequeno círculo de privilegiados, vivendo nas alturas dessa montanha chamada Estado que não nos deixa ver o sol. Falam de tolerância, porém suas forças repressivas dizimam os pobres; os filhos do ódio uniformizados assassinam e aterrorizam impunemente pelas ruas. Falam de paz enquanto põe em marcha as guerras, a maior tragédia humana que bem definiu Paul Valery como "um massacre entre pessoas que não se conhecem para proveito de outras que se conhecem porém não se massacram entre si".
Os políticos em uníssono dizem ser ferozmente contra a violência. Todos se põe de acordo, através de muito espetáculo e enganação mostrados na representação teatral parlamentar, combatendo qualquer um que cometa um ato violento. Assim, aproveitam para incutir-nos sutilmente outros conceitos, como o estado democrático de direito, em que não se admite a violência. Escondem que o seu estado democrático de direito está fundamentado precisamente sobre a violência. Condenam a violência de forma parcial, ocultando fatores que possam explicar a sua origem e procurando que ninguém se aprofunde na questão, repetindo o mesmo discurso impregnado de "paz social" para que aceitemos a superficialidade de suas palavras.
Seu jogo vebal é o jogo de não dizer nada, de falar grandiloqüências que impressionem a quem escute. A palavra guerra tem um significado bem diferente da palavra terrorismo. A guerra é patrimônio exclusivo do Estado; os estados não cometem terrorismo. O terrorismo tem uma conotação muito mais negativa que a guerra. A palavra terrorismo é muito mais sanguinária, dando-nos a impressão de que guerras são realizadas por pessoas de bem, enquanto o terrorismo é praticado por sociopatas bárbaros que se reconfortam na dor alheia. No entanto, é incomparável o número de vítimas das guerras fabricadas pelos estados (e seus efeitos devastadores) em relação ao número de vítimas daquilo que eles chamam de terrorismo. Diante dessas diferentes conotações com as quais nos precondicionam mentalmente, os governantes decidem quem faz guerra e quem comete terrorismo. Na linguagem da cínica democracia, o soldado que dispara contra um garoto indefeso está realizando a nobre arte da guerra, porém quem contemplou atônito o assassinato e se defende com uma pedra será catalogado como terrorista, e, por isso, não terá qualquer credibilidade.
Esta é a enganosa linguagem da democracia. A linguagem compartilhada por todos os democratas, de esquerda, centro ou direita. O povo não deve se deixar enganar por estas palavras eloqüentes, porém não deve também rejeitá-las, e sim amá-las ainda mais. Todos devemos amar a tolerância, o respeito, a liberdade… e por isso não devemos deixar que elas sejam utilizadas por qualquer imbecil de qualquer maneira. Devemos pensar se realmente os que enchem a boca diariamente com tais palavras são dignos de fazerem-no, questionando-nos se, de fato, não estão fazendo o contrário do que proclamam em seus discursos. E devemos, sobretudo, pensar o que podemos fazer para que a linguagem não continue sendo mercadoria barata na boca de marionetes do capital que sustentam um sistema que comete as maiores violações imagináveis ao que essas palavras representam.
Está claro que não interessa aos políticos que pensemos por nós mesmos. Se o fizermos, nos daremos conta que suas palavras sonoras e grandiloqüentes, falando supostamente de coisas que não compreendemos, outorga-lhes uma autoridade que não passa de um mito. Os políticos selecionam de forma cuidadosa as palavras com as quais fundamentam seus discursos. São palavras bem escolhidas com o intuito de vender a autoimagem de pessoas valorosas que defendem seus princípios com convicção.
Está claro que a violência não é algo bom para o ser humano, por isso os políticos escolhem a palavra "paz", como palavra e valor a defender. Assim, mesmo quando provocam uma guerra, justificam-na com sua antítese, dizendo que fazem guerra pela paz, para defender o valor em que supostamente crêem. Eles não escolhem, por exemplo, a palavra "repressão", pois soa mal e vai contra a condição que mais humaniza as pessoas, que é a liberdade; por isso mesmo "liberdade" é outra palavra a martelar. Ainda assim, seu sistema necessita de instrumentos repressivos (polícia, cárceres) que devem ser justificados de alguma maneira; de onde surge a falácia de que são criados para proteger a nossa liberdade; e essa falácia cria em nós um sentimento de insegurança. "Intolerância" é outra palavra que soa mal, por isso falam continuamente em "tolerância" e "respeito".
A política, a democracia, tem a palavra como arma de convencimento. A política é espetáculo, e dentro deste espetáculo a linguagem assume um papel muito importante. As palavras são prostituídas e corrompidas. Falam de convivência porém não convivem com ninguém de fora de seu pequeno círculo de privilegiados, vivendo nas alturas dessa montanha chamada Estado que não nos deixa ver o sol. Falam de tolerância, porém suas forças repressivas dizimam os pobres; os filhos do ódio uniformizados assassinam e aterrorizam impunemente pelas ruas. Falam de paz enquanto põe em marcha as guerras, a maior tragédia humana que bem definiu Paul Valery como "um massacre entre pessoas que não se conhecem para proveito de outras que se conhecem porém não se massacram entre si".
Os políticos em uníssono dizem ser ferozmente contra a violência. Todos se põe de acordo, através de muito espetáculo e enganação mostrados na representação teatral parlamentar, combatendo qualquer um que cometa um ato violento. Assim, aproveitam para incutir-nos sutilmente outros conceitos, como o estado democrático de direito, em que não se admite a violência. Escondem que o seu estado democrático de direito está fundamentado precisamente sobre a violência. Condenam a violência de forma parcial, ocultando fatores que possam explicar a sua origem e procurando que ninguém se aprofunde na questão, repetindo o mesmo discurso impregnado de "paz social" para que aceitemos a superficialidade de suas palavras.
Seu jogo vebal é o jogo de não dizer nada, de falar grandiloqüências que impressionem a quem escute. A palavra guerra tem um significado bem diferente da palavra terrorismo. A guerra é patrimônio exclusivo do Estado; os estados não cometem terrorismo. O terrorismo tem uma conotação muito mais negativa que a guerra. A palavra terrorismo é muito mais sanguinária, dando-nos a impressão de que guerras são realizadas por pessoas de bem, enquanto o terrorismo é praticado por sociopatas bárbaros que se reconfortam na dor alheia. No entanto, é incomparável o número de vítimas das guerras fabricadas pelos estados (e seus efeitos devastadores) em relação ao número de vítimas daquilo que eles chamam de terrorismo. Diante dessas diferentes conotações com as quais nos precondicionam mentalmente, os governantes decidem quem faz guerra e quem comete terrorismo. Na linguagem da cínica democracia, o soldado que dispara contra um garoto indefeso está realizando a nobre arte da guerra, porém quem contemplou atônito o assassinato e se defende com uma pedra será catalogado como terrorista, e, por isso, não terá qualquer credibilidade.
Esta é a enganosa linguagem da democracia. A linguagem compartilhada por todos os democratas, de esquerda, centro ou direita. O povo não deve se deixar enganar por estas palavras eloqüentes, porém não deve também rejeitá-las, e sim amá-las ainda mais. Todos devemos amar a tolerância, o respeito, a liberdade… e por isso não devemos deixar que elas sejam utilizadas por qualquer imbecil de qualquer maneira. Devemos pensar se realmente os que enchem a boca diariamente com tais palavras são dignos de fazerem-no, questionando-nos se, de fato, não estão fazendo o contrário do que proclamam em seus discursos. E devemos, sobretudo, pensar o que podemos fazer para que a linguagem não continue sendo mercadoria barata na boca de marionetes do capital que sustentam um sistema que comete as maiores violações imagináveis ao que essas palavras representam.
Brais Zás
DOWNLOAD: COLD HEAT - HEAVY FUNK RARITIES - 1968~1974http://www.mediafire.com/?6h3pdjd98abq42p











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